Princípios – 2
Este é um blogue não de quem vê as palavras num pedestal e a língua como ideal (que, pelo que me dizem todos, anda pelas ruas da amargura), mas antes como um mero operário da língua, ou seja, um tradutor/revisor como tantos outros. No entanto, e aí talvez me distinga de muitos outros operários da língua, gosto verdadeiramente da minha matéria-prima. E, acima de tudo, não gosto de a esquadrar em molduras demasiado apertadas (e por isso começo frases com “e” quando me apetece). Mas repare-se: quebrar regras e criar coisas novas na língua só é válido e positivo quando mostra conhecimento orgânico da mesma; quando mostra ignorância, é grave, mas é, acima de tudo, feio. Em resumo, três ideias: a língua como coisa que mexemos e trabalhamos todos os dias; a língua como realidade viva e não encerrada em dicionários do século passado; a língua como corpo que se usa e abusa (sem pudores) respeitando-o e conhecendo-o — cada vez mais.
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